Em Barueri, na Grande SP, 40 máquinas transformam milhares de páginas em livros que chegam ao Brasil e a outros 122 países.
Para manter esse ritmo, 40 máquinas funcionam continuamente
e transformam milhares de páginas impressas em livros que vão chegar às mãos de
leitores no Brasil e em outros 122 países.
É em Barueri, na
Grande São Paulo, que acontece essa operação. Em um galpão de 7.134 metros
quadrados, 350 colaboradores trabalham exclusivamente na produção de Bíblias.
Por dia, cerca de 30 mil exemplares ficam prontos na unidade.
Segundo a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), responsável
pela gráfica, o espaço é considerado o maior da América Latina dedicado
exclusivamente à impressão de Bíblias. Já a maior gráfica do mundo que produz
Bíblia fica na costa leste da China.
Em 2024 e 2025, a unidade produziu, em média, 8 milhões de
exemplares por ano. Desde a inauguração, já foram 215 milhões de Bíblias
produzidas, 30% delas destinadas à exportação.
Um relatório das Sociedades Bíblicas Unidas aponta que
o Brasil também liderou, em 2025, a distribuição de Bíblias completas
impressas no mundo. Foram 3,37 milhões de exemplares distribuídos no país, à
frente de Índia, China, Nigéria e Filipinas.
O g1 visitou a gráfica para mostrar, passo
a passo, como uma Bíblia é produzida: da preparação dos arquivos às enormes
máquinas de impressão, passando pelo acabamento, até chegar à embalagem e à
distribuição.
Tudo começa antes de o papel entrar na máquina
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Antes de chegar às máquinas, a produção de uma Bíblia passa
pela etapa de pré-impressão. É nesse momento que os arquivos são preparados
para que o conteúdo possa ser reproduzido no papel.
A diagramação depende do tipo de edição e da complexidade
do livro. Uma Bíblia com notas, por exemplo, exige um trabalho
diferente de uma edição mais simples. Segundo o diretor-presidente da gráfica,
reverendo Erní Seibert, essa etapa pode levar semanas ou meses.
"Uma coisa é a diagramação. Essa diagramação depende da
complexidade, se tem notas ou não, mas leva entre semanas ou meses. Pode ser
alguns meses ou pode ser mais meses, mas é menos de um ano."
Quando se trata de uma tradução que ainda não existe, porém,
o processo é muito mais longo. De acordo com Seibert, uma tradução bíblica
séria não leva menos de cinco anos. "A tradução sempre é o [processo] mais
demorado. Não é uma tradução bíblica séria se levar menos de 5 anos."
O papel precisa ser fino, mas resistente
Depois da preparação do conteúdo, um dos pontos mais importantes é o papel. A gráfica utiliza o chamado "papel-Bíblia", com gramatura de 28 gramas por metro quadrado. É um material mais fino e leve do que o papel offset utilizado em livros comuns, que costuma ter gramatura de 75 ou 90 g/m².
O Brasil não produz esse tipo específico de papel. O
papel usado na produção das Bíblias é comprado da Europa e da Ásia. A
gráfica importa o produto pincipalmente da Finlândia.
"A celulose que compõe tem que ser de fibra longa,
senão ele arrebenta, e isso só o clima frio faz", diz o diretor.
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| Gráfica que produz Bíblias em Barueri, Grande SP — Foto: Paola Patriarca/g1 |
A gráfica utiliza cerca de 800 quilômetros de papel
por dia. Seibert explica que o prazo para que o papel chegue à gráfica
também interfere no planejamento da produção. A compra pode levar de dois a
quatro meses, considerando a fabricação, o transporte e os procedimentos de
entrada no país.
"Eu encomendo o papel e eles, provavelmente, vão fazer
isso numa tiragem maior do que esses meus 10 mil livros que eu quero. Então, eu
digo: 'São tantas toneladas' até eles fazerem o papel, despacharem, passar pela
aduana do país de origem, passar pela aduana brasileira e chegar aqui. Isso
leva no mínimo dois meses. Se não tiver nenhuma interrupção de guerra, se tiver
navio à disposição, normalmente é de 2 a 4 meses."
Impressão é apenas uma parte do processo
Com o papel disponível e os arquivos preparados, começa a
impressão. A gráfica tem 40 máquinas que conseguem produzir cerca de 27 mil
páginas por minuto, considerando uma Bíblia média com 18 cadernos de 64
páginas.
O processo utiliza máquinas rotativas e planas. Na gráfica,
são quatro rotativas destinadas à impressão de Bíblias. Mas a impressão não
significa que o livro já esteja pronto. Uma Bíblia é formada por diversos
cadernos, que depois precisam ser reunidos para formar o bloco de páginas.
"Uma Bíblia é composta por 12 cadernos, 17, depende do
tamanho da letra, do tamanho da Bíblia. Então, esses cadernos, quando são
impressos, são juntados e formam um bloco."
Cadernos são reunidos e costurados
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| Caderno passando pelo processo de costura na gráfica que produz Bíblias em Barueri, Grande SP — Foto: Paola Patriarca/g1 |
Depois de impressos, os cadernos passam pelo colecionamento,
etapa em que são reunidos na ordem correta. Em seguida, eles são costurados.
A costura é feita por máquinas automáticas com linha. Um
caderno é unido ao outro, formando um bloco resistente ao manuseio. A escolha
pela costura se dá devido ao peso e à quantidade de páginas da Bíblia.
A gráfica também possui controles para evitar que um caderno
seja colocado no lugar errado ou fique faltando. Máquinas fazem a verificação
durante o colecionamento, enquanto câmeras acompanham a etapa de costura.
Espessura das páginas
Como o papel é muito fino, um dos desafios é garantir que o
conteúdo impresso de um lado não prejudique a leitura do outro. Seibert explica
que as linhas precisam ser posicionadas de forma precisa.
"Como esse papel é muito fino, você consegue ver que do
outro lado tem alguma coisa impressa, e a impressão vai para o outro lado.
Agora, por que você consegue ler aqui sem problemas? Porque uma linha tem que
ser impressa exatamente sobre a linha do outro lado."
Além do posicionamento da impressão, outros elementos
gráficos ajudam na leitura, como o espaçamento entre as linhas e as margens.
Depois das páginas, vem a montagem
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| Gráfica que produz Bíblias em Barueri, Grande SP — Foto: Paola Patriarca/g1 |
Com os cadernos impressos, revisados e costurados, começa
outra sequência de etapas: colagem da lombada, refile do bloco costurado, corte
dourado ou pintura e impressão das bordas, montagem da capa e encadernação.
A encadernação pode variar de acordo com o modelo da
Bíblia. Capas com zíper podem exigir trabalho manual, enquanto a
encadernação de modelos em brochura e capa dura pode ser feita automaticamente.
Alguns detalhes também são feitos manualmente. É o caso dos
índices colados na lateral das páginas para facilitar a localização dos livros.
"Quando você tem uma Bíblia que fecha com zíper,
muitas pessoas conhecem isso, é tudo manual. Se você tem uma Bíblia que tem o
nome dos livros colados ao lado, para a pessoa achar o livro mais fácil, tudo
isso é feito de forma manual."
A capa também faz parte da produção
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| Capas de Bíblias produzidas em Barueri, na Grande SP — Foto: Paola Patriarca/g1 |
Para o diretor, a capa também tem a função de apresentar ao
leitor o tipo de Bíblia que está dentro dela. Ao longo dos anos, diferentes
modelos passaram a ser produzidos, com capas coloridas, jeans, modelos voltados
para estudo, mulheres e crianças, por exemplo.
"A capa é o primeiro olhar que você lança sobre aquilo.
Então, você olha essa capa e diz que é para um momento especial."
Seibert ressalta que a mudança nas capas acompanhou o
desenvolvimento das artes gráficas e também os diferentes públicos. Segundo
ele, durante muito tempo predominavam capas pretas ou marrons, assim como
acontecia com outros livros.
"A gente dizia: a Bíblia pode ter qualquer cor de capa,
desde que seja preta. Era uma piada que se fazia, porque a maioria das Bíblias
era capa preta. Mas não eram só Bíblias. Todos os livros tinham capa preta ou
marrom."
Um exemplo dessa transformação é a Bíblia com capa jeans,
criada nos anos 1990. "A Bíblia jeans, essa foi mais ou menos nos anos 90
que a gente inventou, porque nós copiamos a ideia dos hispanos. Eles fizeram, e
o jovem amou aquela capa."
Para o diretor, a escolha da capa também precisa considerar
a cultura de quem vai receber o livro. "Se a cultura rejeita aquela cor,
você pode pôr, e [a pessoa] vai rejeitar a Bíblia."
Nem todas as etapas da capa são feitas ali. Segundo Seibert,
modelos que exigem impressão em quatro cores podem ser produzidos em outras
gráficas, já que a unidade de Barueri não possui máquinas desse tipo.
Revisão em todos os processos
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| Gráfica que produz Bíblias em Barueri, Grande SP — Foto: Paola Patriarca/g1 |
E a preocupação com possíveis erros não termina na
preparação do arquivo. Todos os processos, da tradução à encadernação, passam
por revisões e há um checklist em cada etapa produtiva.
A conferência também é automatizada em parte do processo.
Segundo Seibert, programas específicos conseguem identificar problemas como a
ausência de palavras ou versículos.
"Vamos começar pelo texto, que tem pontos de revisão no
texto. Hoje, isso é tudo feito computadorizado. Então, programas especiais
dizem se faltou um versículo, se faltou uma palavra."
Além disso, há controles durante a montagem dos cadernos.
"Tem outras revisões de cadernos para ver se estão no lugar. Então, tem
uma marca gráfica que faz a leitura cada vez que passa, uma leitura ótica, e
diz: está tudo certo."
A gráfica não faz uma inspeção página por página de cada
exemplar. O controle ocorre durante as diferentes etapas da produção, com
inspeções feitas pelos operadores e por equipamentos que verificam os padrões
de qualidade.
Quando um defeito é encontrado, a tentativa é recuperar o
exemplar durante o próprio processo. Se isso não for possível, o material é
destinado à reciclagem.
Depois de pronta, a Bíblia segue para distribuição
Ao final de todas essas etapas, o livro está pronto para ser
embalado e distribuído. A produção da gráfica abastece o Brasil e também outros
países. Em 2024 e 2025, a unidade produziu, em média, 8 milhões de exemplares
por ano.
Para Seibert, a continuidade da produção está relacionada à
forma como diferentes pessoas, em diferentes culturas, se relacionam com o
livro.
Da gráfica de Barueri para 122 países
A produção da unidade cresceu desde sua criação. Segundo Seibert, a gráfica foi planejada inicialmente para produzir 2 milhões de Bíblias por ano, mas a capacidade foi rapidamente ampliada pela demanda.
"Como a gente já fazia 1 milhão de Bíblias para o
Brasil, ela foi planejada para fazer 2 milhões. A gente achava que ia explodir
com 2 milhões em 10, 20 anos, mas em poucos anos já estávamos fazendo 4
milhões."
Hoje, a gráfica produz, em média, 8 milhões de exemplares
por ano com previsão de chegar a 9 milhões neste ano.
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| Impressão de Bíblia em braille — Foto: Paola Patriarca/g1 |
Fonte: Portal G1




















