Fenômeno foi registrado na cidade de Reserva. Informação é
do Simepar, que classificou fenômeno como F2 - quando os ventos alcançam entre
180 km/h e 253 km/h. Paraná está na segunda região mais propensa a tornados no
mundo.
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Foto: Marrara Laurindo
Meteorologistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento
Ambiental do Paraná (Simepar) confirmaram que Reserva, cidade dos Campos
Gerais do estado que fica a cerca de 220 km da capital Curitiba, foi atingida
por um tornado no domingo (28).
O fenômeno foi classificado na Escala Fujita como F2,
quando os ventos alcançam entre 180 km/h e 253 km/h e são capazes de provocar
danos significativos, como árvores arrancadas pela raiz, destelhamentos,
destruição parcial de edificações e lançamento de objetos a grandes
distâncias. Entenda a classificação mais abaixo.
Segundo o Simepar, os ventos chegaram a 200 km/h na
cidade.
No mesmo dia, fortes rajadas de vento, granizo e chuvas
fortes atingiram várias regiões do estado - incluindo a comunidade rural
de Imbú, em Reserva, onde moram cerca de 130 pessoas. No local, o temporal
aconteceu na noite de domingo (28) e deixou um rastro de destruição, arrancando
telhados e chegando a arrastar um carro.
A prefeitura contabilizou 11 casas com danos significativos
e pelo menos 50 pessoas afetadas, sendo que 10 ficaram desalojadas e precisaram
ir para a residência de parentes ou amigos e uma teve ferimentos leves. A
vegetação ao redor e veículos de moradores também foram danificados pela força
do vento e do granizo.
As análises sobre a possibilidade de tornado começaram na
segunda-feira (29) e, nesta quarta (1), meteorologistas e técnicos do Simepar
foram, ao lado de servidores da Defesa Civil Estadual, fazer um mapeamento
aéreo da comunidade de Imbu para analisar a situação.
Eles conversaram pessoalmente com os moradores da região
para entender como se comportou a tempestade e analisaram visualmente os danos
que estudaram por meio de fotos e vídeos.
A equipe de geointeligência realizou sobrevoo na região com
um drone com um sensor capaz de mapear toda a área atingida.
Após a conclusão dos trabalhos em Reserva, os técnicos devem
vistoriar outros municípios onde há suspeita da ocorrência de tornados
associados ao mesmo sistema meteorológico.
Identificação do tornado em Reserva, no Paraná
Segundo o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib, diversos
indícios observados durante a vistoria confirmam a presença de um tornado e
demonstram a força do fenômeno.
 | Foto: Prefeitura de Reserva
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"O levantamento preliminar identificou várias
assinaturas características de um tornado. Encontramos árvores de grande porte
arrancadas pela raiz, copas de araucárias completamente destruídas e destroços
espalhados em diferentes direções, o que evidencia o movimento de rotação do
vento. Também registramos galhos arremessados por dezenas de metros e uma placa
de sinalização lançada a mais de 150 metros. Esses elementos nos permitiram
classificar o fenômeno como um tornado F2, com ventos em torno de 200
km/h", explicou.
Além dos danos à vegetação, a análise considera o padrão de
destruição deixado pelo fenômeno. Diferentemente das micro explosões
atmosféricas ou de rajadas intensas de vento, em que os destroços costumam cair
na mesma direção, os tornados deixam um rastro com sinais claros de rotação,
observado pelos especialistas durante as inspeções em campo.
Classificação dos tornados
Existem duas formas principais de classificar
tornados, a Escala Fujita (F) e a Escala Fujita Aprimorada (EF).
No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente, e
o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para medir a gravidade dos
tornados com base nos danos provocados - quanto maior for a destruição, maior é
a categoria atribuída ao fenômeno. O Paraná está localizado em uma das regiões mais
propensas à formação de tornados no planeta, segundo especialistas em
climatologia. O estado ocupa o segundo maior corredor de tornados do mundo,
atrás apenas das chamadas "pradarias centrais" dos Estados Unidos,
que têm como característica relevo plano e áreas de baixas altitudes.
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Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas,
galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no
local por, pelo menos, três segundos.A partir dessa estimativa, o tornado recebe uma
classificação. Veja abaixo:
-Tornado F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h —
danos leves;
-Tornado F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos
moderados;
-Tornado F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos
consideráveis;
-Tornado F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos
severos;
-Tornado F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h —
danos devastadores;
-Tornado F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h —
destruição extrema.
Histórico de tornados no Paraná
No fim de 2025 e começo de 2026, em um período de três
meses, cinco tornados foram registrados no Paraná.
Os fenômenos foram registrados em Rio Bonito do
Iguaçu, Guarapuava, Turvo, Mercedes e São
José dos Pinhais.
No começo de novembro de 2025, na região central do Paraná,
Rio Bonito do Iguaçu teve 90% dos imóveis destruídos durante
um tornado de categoria F3 na escala Fujita, com ventos estimados
entre 300 km/h e 330 km/h.
No mesmo dia, Guarapuava e Turvo, que ficam a 130 km e a 166
km de Rio Bonito do Iguaçu, também registraram estragos significativos.
Nelas, os tornados foram classificados como F2, com ventos entre 200 km/h e 250
km/h.
No dia 2 de janeiro, um tornado com ventos de até
120 km/h foi registrado em Mercedes, no oeste do Paraná. O fenômeno foi
classificado como F1.
Em São José dos Pinhais, o tornado também recebeu a classificação
de intensidade como F2 na Escala Fujita. Segundo o Sistema de Tecnologia e
Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos chegaram a 180 km/h e o
percurso foi de cerca de 1 km, não tocando o tempo todo no chão.
Paraná está no 2º maior corredor de tornados do mundo
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Tornado em São Jose dos Pinhais - Foto: Reprodução
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O fenômeno que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no
dia 7 de novembro de 2025, é um exemplo de como a combinação entre massas de ar
quente e frio torna o território paranaense mais vulnerável.
A especialista em tornados, Karin Linete Hornes, professora
da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que a área propensa a
tornados engloba também os outros estados da região Sul, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul, e partes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia.
"Nós temos sistemas convectivos de média escala que se
formam lá no Paraguai, nós temos entradas de frentes frias, muitas vezes que
estão associadas também a ciclones que acontecem principalmente no litoral do
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o
combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de
tornados. Claro que, além de tornados, nós também temos vendavais e chuva de
granizo, que estão associados a esses eventos de tempestade severa",
detalha Hornes.
Fonte: G1 Paraná